Production I.G. e sua experiência com Guilty Crown

Já viram ou ouviram falar de Guilty Crown ? Se sim ou não, este texto será com o intuito de mostrar para vocês o quanto um anime pode vir a mexer em um estúdio.


Guilty Crown é um anime 2011, Dirigido por Tetsuro Araki (Death Note) e com roteiro de Hiroyuki Yoshino (Macross Frontier), além de Ichiro Okouchi (Code Geass) dando assistência ao roteiro.

Prestem atenção nessa equipe de direção, ela é o ponto chave para o assunto.

O Anime veio como uma aposta em do Production I.G., juntando elementos principais do estúdio; Pós-GuerraConflito(?) e futurista. A Direção do anime contava com pessoas já experientes na área, além de uma Trilha Sonora excepcional produzida por Hiroyuki Sawano (OST) e das bandas Egoist e Supercel. Ah! Também não há como esquecer da linda arte e animação.

Sawano fez um ótimo trabalho com sua Trilha Futurista

Agora que mostrei as informações há vocês, vamos mexer as peças do tabuleiro. Não é muito difícil de ser ver que Guilty Crown era uma aposta de peso do Production I.G, mas o que acontece se uma aposta dessas não tiver o retorno desejado ? (Não digo apenas o financeiro).
O Production I.G. é um estúdio um tanto quanto antigo se formos comparar a grande maioria dos estúdios atuais. Estes anos levaram ao estúdio moldar sua “cara”, levando sempre histórias com enredo futurista ou então que tenha, ou leve algum contexto no futuro. Claro, isso não é em todas as obras do estúdio, mas sim seus destaques (Ghost, Jin-Roh, Planetes)  deram essa cara a ele. Guilty Crown então parecia ser uma aposta em um terreno já conhecido? Sim, mas e se a direção não soubesse que caminho seguir ? Bom, achamos Guilty Crown.

 

O anime vinha com o intuito de ser comercial, e por incrível que pareça é uma das poucas coisas nítidas no enredo. Para fazer isso então, foi criado um visual “estiloso e descolado” para o anime, como uma tentativa de buscar o publico adolescente, deixando o anime com uma cara pop(?). Depois foram os personagens, um colegial comum que por ironia do destino se envolve com uma organização terrorista (Coisa básica, meu vizinho por exemplo era médico e espião do Taliban), e nesta organização, ele acha um ambiente melhor que a sua vida chata na escola e encontra verdadeiros amigos. Uma garota com um visual carnavalesco e de cabelo rosa, por fim um cara loiro bonitão e foda. E em certos momentos irá haver até mesmo cenas ecchi “tímidas”.

Vale ressaltar que não estou querendo fazer uma análise do anime, mas sim mostrar os aspectos que o estúdio jogou para conquistar seu publico alvo.

Então a missão da equipe de direção não era apostar em algo de entretenimento. A missão era fazer uma franquia ? Possivelmente, tanto investimento em um anime que tinha o intuito de ser comercial parece levar a isso, levo mais a fundo isso julgando que o roteirista apoio (Ichiro Okouchi) foi roteirista de Code Geass, um anime com intuito comercial da Sunrise.

A Direção então tinha algo bom nas mãos, um anime com arte/animação linda, trilha sonora excelente e uma ótima equipe. Porém, nem tudo é um mar de rosas, a direção pecou de mais em Guilty Crown, no quesito o que fazer com o anime. Desenvolvimento dos personagens é falho e  muita das vezes feito em horas erradas, reviravoltas duvidosas, e o pior de tudo… Na tentativa de fazer um roteiro comercial para que ás informações extras fossem para as novels, mangás e jogo (fazendo assim desembolsar mais grana para saber da história completa), o anime ficou sem explicação de muita coisa. Sem falar do que É explicado, fica em grande parte, para ultima hora. A Impressão então que se tem é um anime com ótimo tema de fundo e uma história que poderia ter sido muito melhor.


 Jogo de Guilty Crown, que explica acontecimentos antes do anime 

No final então temos um bom anime, mas o estúdio queria algo excepcional, o fato de Guilty Crown não ter atendido os desejos do Production IG, levou a mudar os rumos do estúdio. Como a temática de Guilty Crown era preservar o tema futurista e apenas deixar descolado para que chamasse o publico adolescente, não deu certo. E isso levou o estúdio a apostar em novos horizontes, tentar pegar o que não era formalmente ” a cara do estúdio”. Animes de esporte por exemplo é um desses novos horizontes, que aparentemente está dando certo.

O Ponto então, é um estúdio mudar para não falir no ambiente atual do público japonês? Talvez, no caso de Guilty Crown apenas um roteiro melhor poderia ter resolvido o problema, mas é caro apostar, e apostar em algo que já não deu certo… Mas temos um exemplo de Psycho-Pass, anime do I.G. como aposta, neste caso o estúdio pecou na animação em geral, mas deixou “descolado” os personagens para atrair o tal publico atual. Então, Psycho-Pass é uma aposta com menos grandeza que Guilty Crown no sentido financeiro exatamente pela lição aprendida em GC.

Naoyoshi Shiotani, diretor de Psycho-Pass por exemplo, é um diretor que já trabalhou em muitas obras do estúdio, mas teve destaques nas obras de publico geral (Kimi ni Todoke, xxxHOLiC, FMA). Naoyoshi era um Diretor que sabia o que Psycho-Pass precisava ser para o I.G., a escolha dele era ter uma direção moderada e deixar boa parte a cargo do roteiro, que no caso do Psycho-Pass era de Gen Urobuchi (Se focar no roteiro, exatamente que Guilty Crown falhou). Vimos que em Guilty Crown é a falta de escolhas para onde seguir o roteiro que pecou muita coisa, seria então, por não haver um consenso exato na direção de GC para onde seguir ? Talvez por isso a escolha de Naoyoshi para Psycho-Pass, um bom diretor, sem exageros, acostumado em obras voltadas mais a públicos populares e deixar como supervisor do roteiro de Gen Urobuchi.

E agora sim, este é o ponto. Olhem como um estúdio já de nome, precisou mudar apenas por uma aposta que deu errado, além de que em parte ser frustrante no sentido que esse mercado não depende de “nós”, mas sim do publico japonês, eles são quem realmente moldam seus estúdios. Um estúdio se torna moe conforme as histórias moe vão dando certo.

Claro, Guilty Crown também foi uma aposta de algo que o I.G. estaria de olho a muito tempo, fazer uma história completamente para o “novo” publico. Higashi no Eden conseguiu fazer isso sem estragar as origens do estúdio, talvez por ter vindo de um Diretor antigo do mesmo ? (Kenji Kamiyama)
Vemos que a tal mudança para novas apostas, já era de antes de GC, mas GC não teria sido brutal de mais para alcançar esse público ? Essa é a chave pro roteiro de GC ter dado errado não só para o publico, mas para o estúdio também. Aproveitando o já citado Higashi no Eden, que busca o público atual focando-se em uma aventura incomum, para resolver os problemas atuais do país, com a coisa que os adolescentes talvez mais desejam nessa fase, o dinheiro.

Akira é um dos selecionados para participar da “seleção”, onde 11 selecionados ganham um celular que pode comprar tudo com poder politico. Cada celular há 8 bilhões, os candidatos devem usar o dinheiro para mudar o país, o vencedor é quem conseguir primeiro.

Viram ? Uma jogada interessante para o publico adolescente. Forá os outros focos também para adolescentes de Higashi no Eden; Pós-escola/formatura, Romance e Aventura.

Uma história simples com mensagens profundas feito para um público geral. Usa o survivor, romance e até a aventura para mandar suas mensagens. Eden deu tão certo, que em certas pesquisas no Japão da época, superava Full Metal Alchemist: Brotherhood, na parte de popularidade.
Seria então fácil o caminho aqui, o estúdio usou Eden como aposta de um roteiro simples, GC com roteiro grande e com mais destaques. Bom, o resultado mostra; Eden se encaixou com o público, sendo simples, GC não.

Chegamos ao final amigos, espero que tenham gostado desse texto. Fique com a mensagem; seu anime é uma experiencia não só para você, para o estúdio  dele também, animação japonesa é um mercado, e como todo mercado. O que move ele não é só paixão, mas dinheiro e o dinheiro é o principal moldador do estúdios.

Até a próxima…

  • Rafael Silva

    Pois é… pena que é o dinheiro que molda isso pois há vários animes que mereciam uma segunda temporada, mas não deram muito certo financeiramente

    • Pedro Vinicius

      Rafael, apenas um episódio de anime custa entre 150 – 350 Dólares, Bleach por exemplo tenha uma estimativa de ter custado 65 milhões.

    • Pedro Vinicius

      Rafael, isso é um tema muito discutível. Um episódio custa entre 100 mil dólares – 350 mil dólares, Bleach por exemplo pode ter custado ao Pierrot 65 milhões de dólares (ou mais).

  • Matheus Fernandes

    na verdade também achei GC uma decepção pois com o erendo que tinham em mãos poderiam ter feito uma historia digamos que seguisse o roteiro, pois achei GC muito bagunçado apesar de até hoje ouvir as musicas da Inori… pois bem ficamos com um final extremamente confuso…

    • Pedro Vinicius

      Não da pra negar a qualidade da Trilha Sonora composta por Hiroyuki Sawano. Magnifico.